quinta-feira, 11 de setembro de 2008

AMPULARÍDEOS DO GÊNERO POMACEA

1. Ampularídeos: Introdução

Escrever um artigo inteiramente dedicado às Pomaceas é uma tarefa um tanto quanto difícil. Levando-se em conta que os caramujos são criaturas por vezes desprezadas pela grande maioria dos aquaristas, percebe-se que curiosidades biológicas e comportamentais desses pacíficos animais escapam-nos, quando deveriam chamar-nos a atenção.

A anatomia e o funcionamento do organismo de uma pomacea são aspectos que talvez não prendam a atenção da maioria dos aquaristas. Mas quando se parte do seu comportamento, resistência surpreendente, capacidade de adaptação, e a importância das pomaceas em inúmeros ecossistemas de todo o planeta¹ – inclusive sistemas fechados como nossos aquários – aí sim conhece-se verdadeiramente as pomaceas.

[¹ - Muitos devem estar questionando essa afirmação visto que as pomaceas são tidas como pragas em algumas regiões do mundo, como o grave caso da proliferação da Pomacea canaliculata no sudeste asiático. No entanto, sabe-se que todas as situações em que pomaeas tornam-se pragas ocorrem devido a intervenção do homem na natureza.]

A mais comum delas é atribuir o nome ampulária como sinônimo de corbícula. Essa definição é completamente equivocada. Corbículas são moluscos bivalves dulcícolas, da família Corbiculidae, ordem Veneroidea, classe Bivalvia; ou seja, nada tem a ver com as ampulárias, família Ampullariidae, ordem Caenogastropoda (Mesogastropoda na literatura mais antiga), classe Gastropoda. Corbículas são moluscos neotropicais altamente adaptáveis, sendo introduzidos e estabelecidos com sucesso em várias regiões tropicais e subtropicais por todo o planeta. Inclusive em algumas regiões é vista como praga. Curiosamente, as corbículas são um dos únicos moluscos dulcícolas que toleram uma certa taxa de salinidade. Ou seja, tirando o fato de ambas serem moluscos dulcícolas, ampulárias e corbículas pouco têm em comum.

Todos os ampularídeos possuem algumas características em comum:

Sexo separado: ao contrário do que muitos pensam, ampularídeos não são hermafroditas; essa "lenda" provavelmente se deve ao fato da fêmea poder estocar o esperma do macho por um período que pode se estender por semanas ou meses;

Postura de ovos acima da coluna d’água, com exceção do gênero Marisa.

Respiração branquial e pulmonar;

Presença do opérculo;

Sifão respiratório. um órgão localizado no lado esquerdo, mais precisamente no lóbulo nucal na entrada da concha do ampularídeo, que quando contraído forma um tubo flexível. Isso permite que as ampulárias possam renovar o ar de seus pulmões continuando submersas, o que é muito vantajoso, visto que são muito vulneráveis quando fora d'água.

Longos tentáculos labiais.

Tendência a hábitos noturnos e fotofobia.

As ampulárias são encontradas na natureza em lagos, pântanos e alagadiços das regiões tropicais de subtropicais de todo o mundo, principalmente na América do Sul, América Central, centro-sul da África e sudeste asiático. Normalmente são águas com pouca correnteza e oxigenação, o que favoreceu o desenvolvimento do sifão respiratório e da respiração dupla. Como os habitats onde vivem as ampulárias localizam-se em regiões com estações secas e chuvosas, tais lagos e alagadiços podem vir a secar, expondo as ampulárias à total ausência de água. Para "driblar" essa situação adversa, os ampularídeos desenvolveram um opérculo córneo, feito principalmente de queratina, que permite que o animal permaneça com sua concha firmemente fechada, evitando assim a perda excessiva de umidade. Em seu habitat natural, na época da estiagem, o ampularídeo fecha sua concha com o opérculo, enterra-se total ou parcialmente na lama e entra num estado de "hibernação", até que as condições melhorem. O opérculo também é muito útil para que a ampulária defenda-se de eventuais predadores.

2. O gênero Pomacea

Os ampularídeos do gênero Pomacea estão entre os mais populares moluscos dulcícolas encontrados no aquarismo ornamental. O habitat desses moluscos do Novo Mundo se estende desde o sudeste dos Estados Unidos, toda a América Central, países do norte da América do Sul, ocorrendo em todo o território brasileiro até a bacia do Rio La Plata, na Argentina. Pomaceas podem ser encontradas também no sudeste asiático, onde foram introduzidas, desde o sul do Japão até a Indonésia.

A classificação do gênero Pomacea é algo complicado, dado que a maioria das espécies foram classificadas entre os séculos XVI e XVIII, levando em consideração apenas alguns detalhes da concha e variação de cores, sem um estudo anatômico mais aprofundado, análise da distribuição geográfica ou respeitando o fato de haver variantes dentro de uma espécie. Resultado: já foram descritas mais de 100 espécies pertencentes ao gênero Pomacea, mas na realidade esse número é bem menor. Para se ter uma idéia, no complexo Canaliculata foram descritas mais de 45 espécies; hoje em dia é sabido que se trata de uma espécie só, com seis sub-espécies, e mesmo assim algumas verdadeiramente idênticas (Pomacea doliodes e P. lineata, por exemplo.), o que fará que em breve o número se reduza ainda mais. O mesmo ocorreu e ocorre com o complexo Flagellata. Alguns autores estão procurando reclassificar o gênero para que não haja tantos equívocos, reduzindo o número de espécies para cerca de 50, e dividindo as espécies em complexos e subespécies, dessa vez respeitando a variabilidade de uma espécie e relacionamentos genéticos, utilizando-se de recursos de identificação mais confiáveis e modernos, como análise do DNA e cromossomos, morfologia interna, experiências com cruzamentos, etc.

A classificação mais atual do gênero Pomacea divide-o em dois sub-gêneros: Pomacea (pomacea) e Pomacea (effusa). Nesses dois sub-gêneros estão reconhecidas diversas espécies, porém algumas tão similares que provavelmente sejam uma espécie só, tornando então a classificação atual duvidosa e ainda sujeita à mudanças.

3. Identificando uma Pomacea

Como vimos acima, a classificação de espécies do gênero Pomacea é algo que ainda está em desenvolvimento. Detalhes da concha, como textura da superfície, cor, etc, são muitos superficiais para definir uma espécie.

A superfície da concha de uma pomacea pode ser lisa ou áspera, apresentando linhas de crescimento, por vezes podendo ocorrer uma certa maleabilidade, principalmente em indivíduos mais jovens. A concha apresenta forma de cone, com os espirais secundários arredondados e sempre partindo para a direita (é dito que pomaceas possuem uma concha "destra"). A abertura da concha é ovalada. No lado oposto da abertura da concha localiza-se o opérculo córneo. A concha pode apresentar diversas cores, entre o branco, amarelo, marrom escuro ao quase preto, com ou sem "bandas" (faixas escuras).

Uma das maneiras mais fáceis de identificar uma Pomacea é observando o longo sifão respiratório.

O corpo dos ampularídeos do gênero Pomacea apresenta tentáculos cefálicos e labiais longos, além da característica mais significativa do gênero: a presença de um extenso sifão respiratório, que se estende por até 2 vezes e meia o comprimento do animal. O corpo pode apresentar colorações que variam do cinza claro ao amarelado, com ou sem pontos escuros. Todas as pomaceas colocam seus ovos seus ovos acima da coluna de água.

4. Espécies

Pomacea bridgesii: O complexo bridgesii divide-se em duas sub-espécies: Pomacea bridgesii bridgesii e Pomacea bridgesii diffusa, ambas encontradas na bacia Amazônica. A concha da P. bridgesii possui de 5 a 6 espirais bem pronunciados, a abertura da concha ovalada, porém a característica mais marcante - e a única que permite identificação externa - são os "encontros" entre as espirais formando ângulos de 90°, quando o animal é visto de cima, por exemplo. Outra característica que permite identificar a Pomacea bridgesii são os ovos rosados. O tamanho varia de 2 a 3 mm e cada ninho contém de 200 a 900 ovos.

A Pomacea bridgesii é uma das espécies mais comum em aquários, e sua popularidade é devido ao fato de ser o único ampularídeo comercializado em lojas que não se alimentará de folhas de plantas sadias, preferindo matéria orgânica vegetal e animal morta (folhas mortas e cadáveres de peixes), vegetais crus (alface, pepino, aipo, cenoura), algas (principalmente verdes e filamentosas), ração para peixes, etc. Uma P. bridgesii só irá alimentar-se de folhas sadias quando não houver nenhuma outra fonte de alimento.

Pomacea canaliculata: Facilmente encontrada no Baixo Rio Amazonas e Bacia do Rio La Plata, seu habitat estende-se pela Bolívia, sudeste do Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai. É um dos ampularídeos do neotropicais encontrados mais "ao sul". Junto com a Pomacea bridgesii é um dos moluscos dulcícolas mais facilmente encontrados em lojas de aquarismo. Porém, a P. canaliculata é a responsável pela "má fama" das ampulárias e por várias experiências frustrantes de aquaristas desavisados que as mantiveram em aquários plantados. A P. canaliculata é muito semelhante à sua "prima" P. bridgesii, porém é uma voraz devoradora de plantas, arruinando todo o paisagismo de um aquário plantado em poucos dias.

A concha da P. canaliculata é robusta e pesada, apresentando pouca maleabilidade, especialmente em indivíduos mais velhos. Possui de 5 a 6 espirais unidos por uma sutura "profunda", como que "enterrada" na concha. Os encontros entre as espirais formam ângulos menores que 90º. Essa característica permite identificá-la exteriormente. O corpo pode ser amarelado, acizentado, marrom ou quase preto, com pontos amarelados no sifão, porém não apresentando "spots" tão numerosos nas regiões da boca e pé, como é o caso da P. bridgesii. Os ovos também podem identificar a espécie, bem mais avermelhados que os da P. bridgesii, e um pouco maiores também: de 2.2 a 3.5 mm. O ninho pode conter de 200 a 600 ovos.

Pomacea paludosa: Bem menos comum em lojas de aquarismo, a norte-americana P. paludosa é uma hábil devoradora de plantas, não sendo recomendada, portanto, para aquários plantados. É uma pomacea maior, mais robusta e com uma aparência mais "pré-histórica" - o que ela é de fato, já foram encontrados fósseis de datando de 200 a 800 mil anos.

A concha da P. paludosa possui as suturas rasas e abertas, com os encontros entre as espirais formando ângulos maiores que 90°. A abertura da concha é larga e em forma "de gota". As cores encontradas são do amarelo escuro ao quase preto, passando pelo marrom (mais comum), podendo aparecer tons avermelhados e sempre apresentando bandas (faixas) escuras. O corpo é cinza, podendo apresentar pigmentações escuras na parte superior do corpo. Os ovos são rosados, bem maiores (3-6 mm) e com um ninho bem menor (20-100 ovos), envolto por uma fina camada gelatinosa.

Pomacea flagellata:

Essa pomacea centro-americana já foi dividida em mais de 30 espécies no passado, tamanha a sua variabilidade. Atualmente, o complexo flagelatta dividi-se em quatro subespécies: Pomacea flagellata flagellata, P. flagellata livescens, P. flagellata erogata e P. flagellata dysoni. Possui uma concha de aparência mais delicada, e com suturas bem abertas, formando ângulos de aproximadamente 120° ou maiores. Em alguns casos o ângulo formado nesses encontros entre os espirais parece ser quase inexistente. Devido a quantidade de variantes dessa espécie, o ângulo das suturas pode variar um pouco. As cores variam também: desde o verde-oliva escuro, marrom ou quase preto, com ou sem nuances avermelhadas, com ou sem faixas escuras. A P. flagellata é um dos poucos ampularídeos cuja concha permite a identificação do sexo do indivíduo: a concha do macho possui uma abertura mais larga (provavelmente para abrigar o complexo peniano) e a borda da entrada da concha com uma curvatura voltada "para fora", ausente nas fêmeas, como mostra a ilustração abaixo:

O corpo é cinza escuro ou claro, com pigmentos escuros, em alguns indivíduos apresentando o pé ou a cabeça completamente pretos. Os ovos são de cor laranja pálido e após 10 dias, quando fertilizados apresentam uma cor escura.

A P. flagelatta alimenta-se de todo e qualquer tipo de planta aquática, devorando-as numa velocidade assustadora, sendo talvez a ampulária mais "devastadora" em aquários plantados. Parece possuir um apetite especial por Microsorum sp. Na ausência de outra fonte de alimento, as P. flagelatta podem atacar outros caracóis e invertebrados, camarões, peixes que estejam dormindo e/ou doentes, praticando o canibalismo e a predação.

4.1 Conquiliologia² do gênero Pomacea – principais espécies

[² - Conquiliologia = estudo das conchas. Antigamente conquiliologia significava apenas colecionar conchas, mas esse tipo de estudo tornou-se tão científico que passou a fazer parte da malacologia.]

Os conquiliologistas consideram que a posição padrão para estudar a concha de moluscos univalves é a de forma que, olhando para a abertura, o topo da espiral (ápice) fique para cima.

A identificação das espécies de pomaceas é relativamente fácil, bastando observar os detalhes da formação da concha.

Pomacea bridgesii: encontro entre os espirais formando ângulos de 90°.

Pomacea canaliculata: suturas formando ângulos menores que 90°. A entrada da concha é mais arredondada que a da P. bridgesii.

Pomacea paludosa: encontro entre as espirais formando ângulos maiores que 90°, mas ainda aparentes. Entrada da concha larga e em forma "de gota".

Pomacea flagellata: suturas formando ângulos de aproximadamente 120°, em alguns casos esse ângulo é quase inexistente. Indivíduos machos apresentam uma curvatura na borda da entrada da concha.

5. Cuidados com sua Pomacea

5.1. O aquário

Pomaceas são animais rústicos e resistentes, não sendo tarefa difícil mantê-las saudáveis em boa parte dos aquários comunitários. Calcula-se cerca de 10-15 litros de água para cada ampulária de tamanho médio. É aconselhável que o aquário possua tampa para evitar "passeios" noturnos, embora ampularídeos possam resistir emersos por várias horas - ou dias. Uma coluna de ar de aproximadamente 5 cm entre a superfície da água e a tampa é necessária, caso contrário a pomacea não irá conseguir captar oxigênio do ar, e como sua respiração branquial é insuficiente, ela literalmente irá morrer afogada. Áreas de sombra são recomendáveis, embora ampulárias sejam absurdamente míopes, seus olhos possuem capacidade de captação de luz e indivíduos albinos irão sentir-se mais confortáveis com regiões onde possam abrigar-se da claridade. O substrato deve ser preferencialmente arenoso, sem pontas/arestas afiadas que possam ferir o animal. O mesmo vale para pedras, troncos ou qualquer outra decoração presente no aquário.

Não é recomendável manter ampulárias em aquários exclusivamente destinados à reprodução de peixes. Além de algumas espécies de peixes apresentarem um comportamento extremamente territorial/agressivo na época de reprodução (como boa parte dos ciclídeos), podendo ferir gravemente a pomacea, esta possui uma tendência a devorar ovos de peixes, chegando a dizimar uma ninhada inteira, sendo indiferente aos ataques dos pais cuja espécie não atinja grandes dimensões (Apistogramma sp., por exemplo).

Otocinclus sp. alimentando-se de algas que crescem sobre a concha de uma Pomacea bridgesii. É recomendável que as pomaceas sejam mantidas apenas com peixes pacíficos.

Pomaceas convivem muito bem com a maioria dos peixes, sendo completamente inofensivas para com outros habitantes do aquário. Nos casos de incompatibilidade entre peixes e ampulárias, é sempre esta que sai em desvantagem. Alguns peixes podem desde "divertir-se" mordiscando os tentáculos das pomaceas, até arrancando pedaços do animal, acabando por matá-lo. Alguns peixes que podem atacar ampularídeos são:

Botia sp.;
Baiacús dulcícolas (Tetraodon sp.);
Alguns peixes-gato, como Bunocephalus sp. e Leiocassis sp.;
Alguns ciclídeos africanos, como Pseudotropheus sp. e Melanochromis sp.;
Ciclídeos americanos de médio-grande porte (oscar, jurupari);
Algumas espécies de Apistogramma sp.;
Vários anabantídeos, como Betta sp. e Trichogaster sp.;
Vários ciprinídeos, especialmente lábeos (Epalzeorhynchus sp. e Morulius sp.), mas também kinguios, carpas e barbos.

5.2. Parâmetros e qualidade da água

Pomaceas são animais surpreendentemente resistentes. Elas conseguem sobreviver em águas com níveis de poluição, amônia e nitritos praticamente absurdos, que a grande maioria dos peixes e invertebrados não conseguiria resistir por muito tempo. No entanto, pomaceas não são "invencíveis", e podem vir a desenvolver doenças e morrer prematuramente se não forem mantidas em condições no mínimo respeitáveis para garantir sua qualidade de vida. Isso significa água limpa, manutenção regular, trocas parciais de água frequentes, estabilidade dos parâmetros, etc.

Ampularídeos necessitam de uma concentração de cálcio mínima para desenvolverem e manterem suas conchas saudáveis, caso contrário elas se tornam frágeis e quebradiças, levando o animal à morte. Há quem diga que pomaceas não sobrevivam em pH ácido, o que não é totalmente verdade, já que o responsável pela concentração de cálcio é o GH (dureza geral), que pouco tem relação com o pH. Porém um GH alto é relativamente raro em águas ácidas, ocorrendo muito mais freqüentemente em águas alcalinas, conseqüentemente, na maioria das vezes ampulárias conseguem viver melhor em águas alcalinas. De qualquer forma, pomaceas conseguem tolerar uma faixa de pH entre 6.5 a 8.8, sendo mais recomendável uma faixa de pH tendendo a neutro (7.0).

O parâmetro mais importante para as ampulárias sem dúvida é a temperatura. É a responsável pela atividade metabólica, reprodutiva, desova, velocidade de crescimento e do ciclo de vida.

Embora as pomaceas sejam bastante tolerantes a variações bruscas, temperaturas extremas podem matá-las em questão de horas. No caso da Pomacea canaliculata e P. bridgesii, temperaturas acima de 32° são potencialmente fatais; sobrevivem de 15-20 dias em 0°C, 2 dias em -3°C e não mais que 6 horas em -6°C. A P. paludosa, em temperaturas acima dos 40°C morre em 1 a 4 horas. Sua vida é reduzida para alguns dias quando submetida a temperaturas menores que 5°C.

Entretanto, a temperatura ideal para manter ampulárias é na faixa entre 24 e 28°C. Em temperaturas mais baixas (24-25°C), os movimentos graciosos das ampulárias não serão tão freqüentemente observados, a atividade sexual ficará bastante reduzida ou quase nula; por outro lado, sua expectativa de vida será notavelmente aumentada (para quatro anos ou mais), ela se alimentará menos, e conseqüentemente defecará menos.

Temperaturas mais altas (27-28°C) aumentam o metabolismo conseqüentemente a atividade, apetite e atividade reprodutiva do ampularídeo. Por outro lado, ela defecará bastante e terá seu tempo de vida bastante reduzido, de 4 anos para cerca de um ano.

5.3. Alimentação

Ampulárias são relativamente fáceis de alimentar. Contudo, deve-se oferecer uma grande variedade de alimentos a fim de garantir a qualidade de vida do animal e sua longevidade, bem como evitar doenças. Pomaceas em geral irão preferir uma dieta vegetariana, portanto verduras e legumes como cenoura, alface, batata, pepino, etc, serão bem recebidos. Entretanto, as pomaceas são onívoras e necessitam de alimentos de origem animal como fonte de proteínas. Para satisfazer tal necessidade, pode-se oferecer também ração para peixes e comida congelada. Eventualmente as pomaceas podem alimentar-se de ovos, vegetais em decomposição, ou ainda cadáveres de peixes e invertebrados.

A variedade na alimentação é muito mais importante que a quantidade. Embora as causas da grande maioria (senão todas) as infecções internas que ocorrem em ampularídeos sejam desconhecidas, muitos autores atribuem à carência ou excesso de nutrientes como causadores de muitas moléstias. Isso quer dizer que, se for oferecido uma grande quantidade de proteínas, por exemplo, o sistema digestivo do animal pode não conseguir metabolizar tal quantidade e debilitar-se; o mesmo ocorre na ausência de qualquer fonte de proteína.

Quase todas as pomaceas são algueiras, preferindo as algas verdes e filamentosas, entretanto, a maioria aprecia também comer plantas aquáticas vivas, com exceção da Pomacea bridgesii, que só irá se alimentar de folhas sadias se não houver nenhuma outra fonte de alimento. Devido a essa característica, a Pomacea bridgesii é amplamente utilizada no combate à algas em aquários plantados.

Pomacea bridgesii alimentando-se de algas nas folhas de Glossostigma elatinoides.

Uma "lenda da aquariofilia", talvez difundida pelo fato das ampulárias ingerirem uma grande variedade de matéria orgânica, atribui à elas o apetite por fezes, sejam delas mesmas ou de peixes e/ou outros inventebrados. Essa informação é absurda e equivocada, ampularídeos não se alimentarão de excrementos, mesmo que não haja nenhuma outra fonte de comida. Na total ausência de alimento em um aquário, ampularídeos costumam fazer o que fariam na natureza: migrar em busca de melhores condições de sobrevida. Isso significa que, quando estiver realmente com fome, a ampulária certamente irá tentar fugas do aquário na busca por alimento.

Há quem utilize as pomaceas na função de uma "equipe de limpeza" para aquários de água doce. Dessa forma a aquisição desses moluscos torna-se tentadora, visto que as pomaceas em geral possuem um grande apetite, um "cardápio" variado, não costumam ser "enjoadas", e podem devorar uma grande quantidade de detritos orgânicos indesejáveis num aquário: cadáveres, restos de ração, etc. Contudo, pomaceas só irão alimentar-se fartamente se forem mantidas em temperaturas mais altas, caso contrário, seu apetite é escasso ou quase nulo. Em temperaturas elevadas, o metabolismo da pomacea se acelera, e com ele sua demanda de energia - assim como seu apetite - aumenta. Consequentemente, a pomacea irá defecar muito também. Algumas literaturas especializadas afirmam que as fezes das ampulárias, embora sejam produzidas em grande quantidade, são "menos tóxicas" que as fezes dos peixes. Essa afirmação é controvérsia, senão duvidosa, pois há autores que negam tal teoria. De qualquer forma, qualquer excremento, seja mais ou menos tóxico, não deixa de ser matéria orgânica que aumentará os níveis de amônia e nitrito, e que em grande quantidade pode comprometer a qualidade da água do aquário, causando danos a peixes e invertebrados.

6. Doenças específicas de ampularídeos

Deformação / Má formação / Crescimento irregular da concha

Sintomas: A gravidade de tais problemas na concha pode variar muito. Podem ser desde uma pequena fissura na abertura da concha que não cicatrizou, lesões diversas, desenvolvimento / crescimento defeituoso dos espirais, abertura da concha muito estreita ou larga demais, mau posicionamento do opérculo, até lesões grosseiras que podem dificultar algumas atividades do ampularídeo, ou até levá-lo à morte.

Causas: As causas dessas deformações são diversas:

- Exposição do animal a temperaturas adversas
- Falta de alimento;
- Lesões na concha do ampularídeo quando jovem, causadas por acidentes diversos, prejudicando seu crescimento;
- Borda da concha danificada, que não conseguiu ser refeita;
- Mudanças extremamente bruscas de parâmetros da água e/ou alimentação;
- Má formação do embrião;
- Problemas genéticos.

Consequências: Dependendo da gravidade da deformação da concha, ela pode comprometer a qualidade de vida do animal. Por exemplo, deformação dos espirais pode dificultar a movimentação; alterações da abertura da concha podem comprometer a reprodução, o desenvolvimento do complexo peniano nos machos, a cópula, bem como o posicionamento do opérculo; ou modificações nas suturas entre os espirais podem danificar a formação dos órgãos internos (massa visceral). Diante de tais dificuldades, o ampularídeo pode acabar morrendo, ou tendo sua expectativa de vida drasticamente reduzida.

Prevenção:

- Não expor o ampularídeo a acidentes e/ou quedas, principalmente em exemplares jovens;
- Não submetê-lo a mudanças bruscas de temperatura;
- Evitar temperaturas extremas, tanto muito baixas quanto extremamente altas, respeitando a faixa de temperatura ideal para manter ampularídeos;
- Evitar mudanças bruscas na dieta da ampulária, bem como alterações na quantidade de alimento oferecido.

Tratamento: Infelizmente na maioria dos casos de deformação / má formação da concha, não há muito que possa ser feito pelo ampularídeo. Quando o problema é genético, de má formação do embrião, ou no caso de problemas graves, principalmente nos espirais secundários da ampulária, não há tratamento.

No caso de lesões profundas na abertura da concha, pode-se tentar dois tratamentos: um indicado para indivíduos jovens e/ou com lesões recentes, outro para exemplares adultos. Para os primeiros, deve-se induzir à redução da velocidade de crescimento, abaixando gradualmente a temperatura e oferecendo menos alimento (quantidade, não variedade). Isso fará com que a deformação não ocorra rapidamente, de forma que a ampulária possa até revertê-la, ou ao menos ter tempo para adaptar-se a ela. Em pomaceas adultas, ou que se tenha certeza que o problema irá ser resolvido naturalmente, faz-se exatamente o contrário: aumentando a temperatura e a oferta de alimento, fazendo com que ela se “cure” mais rapidamente.

Concha fina, frágil e quebradiça

Sintomas: A estrutura da concha é dividida em diversas camadas. A primeira camada é formada por um tecido chamado periostracum, feito de células especializadas, e responsável pela coloração da concha das ampulárias. Recoberto por esse tecido está uma camada onde se depositam cristais de carbonato de cálcio, compondo a estrutura da concha. E é nessa última camada que ocorrem os problemas de fragilidade da concha, que fica com aparência fina, em casos mais graves tornando-se quebradiça e danificando o periostracum. Entretanto, o periostracum vai desaparecendo com a idade, deixando a concha com algumas manchas brancas, indicando a ausência desse tecido em ampularídeos mais velhos. Isso não significa portanto, que obrigatoriamente a ausência de periostracum em algumas regiões da concha indique a falta de cálcio, ou que a mesma esteja fragilizada.

Causas: A principal causa desse problema é a qualidade de água não apropriada para as ampulárias, no que se diz respeito à concentração de cálcio na água (GH), fazendo com que não haja “matéria-prima” para a formação da concha; ou um pH bastante ácido para ampulárias (<>

Consequências: Esse é um dos problemas mais comuns apresentados por ampularídeos. Na verdade, quase todas as ampulárias mantidas em aquários comunitários comuns – com exceção das mantidas em aquários com pH alcalino e com grande concentração de carbonatos, como é o caso de aquários de ciclídeos africanos – apresentam algumas “falhas” no tecido da concha, acusando a carência de cálcio presente na água. Pequenas rachaduras não costumam causar problemas, todavia, a longo prazo, elas podem tornar-se grandes aberturas na concha. Esses “buracos”, se ocorrerem fora da região “cicatrizável” da concha da ampulária, jamais cicatrizarão, visto que é feito de cristais de cálcio inertes. Em casos extremos, os buracos podem ser grandes o bastante a ponto de deixar a massa visceral exposta. Isso pode acarretar vários problemas, desde a vulnerabilidade a ataques de eventuais peixes, invertebrados (até outras ampulárias), até um colapso pulmonar.

Região “cicatrizável” da concha de uma Pomacea bridgesii. A extensão da área pode variar devido a vários fatores, como alimentação, qualidade de vida, cálcio dissolvido na água, etc.

Prevenção:

- Oferecer uma qualidade de água favorável para o desenvolvimento da concha das ampulárias. Isso significa: pH não menor que 6.5, de preferência alcalino, e GH alto.
- Há quem utilize outro tipo de precaução: os “banhos de cálcio”. Esses “banhos” consistem em manter a ampulária numa água com pouca concentração de cálcio, inevitavelmente deteriorando gradualmente a concha, e periodicamente expô-la a uma água com GH alto por alguns dias, até ela refazer sua concha, quando é novamente devolvida ao aquário. Esse meio de prevenção não é recomendado, visto que há o grande risco de choque para ampulária (que mesmo sendo um animal muito rústico e resistente, não é “inabalável”), e principalmente a má formação da concha devido à inconstância de parâmetros, acarretando a deformação / Má formação / Crescimento irregular da concha, como foi visto acima. Ou seja: resolve-se um problema, originando outro.

Tratamento: O tratamento mais eficaz chega a ser óbvio: basta corrigir a concentração de cálcio na água, aumentando o GH. Caso queira aumentar o GH, porém sem alterar outros parâmetros (pH e KH), basta adicionar cálcio na água. Pode ser cloreto de cálcio (CaCl2), mas não carbonato de cálcio, pois esse irá alterar o pH. O cloreto de cálcio pode ser encontrado em distribuidoras de produtos químicos, contudo essa substância deve ser utilizada com cautela, pois geralmente vem muito concentrada. Há alguns produtos próprios para aquários que adicionam somente cálcio na água. Um exemplo é o Bio-Calcium, da Tropic Marin.

No caso de uma concha já deteriorada, especialmente fora da região cicatrizável, pode-se tentar literalmente “remendar” a concha do ampularídeo, utilizando desde pedaços de concha de outras ampulárias, casca de ovo, ou até mesmo pedaços de plástico. Esses pedaços são colados cobrindo os buracos, de preferência utilizando cola de uso médico, embora essa seja relativamente difícil de encontrar e muito cara. Uma boa alternativa é utilizar um adesivo instantâneo de uso doméstico (Super Bonder). De qualquer forma, a “cirurgia de reparo” deve ser feita com muito cuidado, já que a cola jamais deve entrar em contato com o tecido do animal.

Deterioração / buracos / perda do opérculo

Sintomas: O opérculo é bem menos vulnerável a deteriorações e problemas, visto que a concentração de cálcio nele é desprezível, sendo predominantemente formado por queratina e outras proteínas. Todavia, alguns problemas podem acarretar na alteração da forma (mais comuns em indivíduos mais velhos), buracos ou até a perda total do opérculo.

Causas: As más formações do opérculo estão relacionadas a causas parecidas com as alterações ocorridas com a concha da ampulária: falta de alimentação adequada, lesões causadas por acidentes, problemas genéticos ou de formação do embrião, temperatura e outros parâmetros adversos. Os buracos podem ser causados pela excessiva carência de cálcio ou velhice, e a perda total do opérculo, freqüentemente pode estar relacionado a condições extremamente adversas da qualidade de água (como um nível de amônia absurdamente alto, por exemplo), ou graves problemas de saúde da ampulária, podendo estar relacionado a bacterioses ou infecções internas, e desconhecidas. Inclusive deve-se verificar se a ampulária não está realmente morta!

Consequências: Problemas no opérculo não costumam comprometer a qualidade de vida do animal ou trazer outras conseqüências mais graves. A maior dificuldade é quando o ampularídeo vai se abrigar dentro da sua concha, já que não tem um opérculo saudável para isolá-lo adequadamente. Esse problema pode tornar-se mais grave quando a ampulária é mantida com peixes ou invertebrados que possam atacá-la, já que mesmo quando recolhida em sua concha, continuará exposta a agressões. Se o opérculo estiver ausente, além de ser um indicativo de que algo vai realmente mal na saúde da ampulária, a mesma pode apresentar dificuldades na movimentação, principalmente se for um espécime mais velho, com uma concha grande e pesada.

A concha da Pomacea é bastante robusta e pesada. O opérculo possui um formato côncavo justamente para apoiar a concha sobre o pé do animal, permitindo que o mesmo suporte o peso com mais facilidade.

Prevenção: Com exceção de causas que não podem ser evitadas (problemas genéticos, de desenvolvimento do embrião), problemas no opérculo podem ser evitados oferecendo boas condições da água, parâmetros aceitáveis e alimentação farta e variada.

Tratamento: Infelizmente não há muito que possa ser feito quando aparecem sinais de deterioração, buracos ou perda do opérculo. Especialmente no último caso, cuja causa pode ser devido a infecções internas, desconhecidas e portanto sem tratamento. De qualquer forma, deve-se analisar os parâmetros e a qualidade da água, e corrigi-los caso apresentem-se alterados, oferecendo um bom ambiente para a ampulária.

Perda total / parcial dos tentáculos labiais e/ou cefálicos

Sintomas: A danificação dos tentáculos (e não “antenas”) pode ter diferentes tipos de gravidade: desde as pontas afetadas até o órgão inteiro arrancado. Isso compromete a estética do animal, que perde os movimentos graciosos dos tentáculos.

Causas: A grande maioria dos casos de perda total ou parcial dos tentáculos é devido ao ataque de peixes. Os tentáculos, principalmente os cefálicos, permanecem muito expostos quando a ampulária está ativa, e como o número de espécies de peixes que possuem um “apetite” por caramujos é grande, os ataques são direcionados principalmente para os tentáculos.

Em alguns casos os tentáculos podem ser perdidos / danificados em acidentes, porém isso é bem mais raro, já que ampularídeos possuem um reflexo de recolher seus tentáculos e corpo quando ameaçadas.

Consequências: Na maior parte das vezes o ampularídeo não sofre nem corre maiores riscos quando tem seus tentáculos danificados. O único problema maior é que tentáculos atacados normalmente são a “porta de entrada” para ataques mais violentos e graves, aí sim comprometendo a saúde do animal, podendo até mesmo levá-lo a morte.

Prevenção: A única prevenção para que a ampulária não sofra ataques nos tentáculos é saber escolher quais espécies conviverão com ela no aquário, não escolhendo espécies muito agressivas e/ou tenham tendência a atacar caramujos. Felizmente, boa parte das ampulárias conseguem adaptar-se a eventuais agressões em seus tentáculos, mantendo-os sempre recolhidos.

Tratamento: As ampulárias possuem uma grande capacidade de reparar danos no corpo por si mesmas, portanto, na maioria das vezes o tentáculo perdido refaz-se, originando um tentáculo novo. Freqüentemente esse tentáculo fica ligeiramente menor e mais fino que o “original”. De qualquer forma, deve-se ficar atento para que esses ataques não se tornem mais graves, colocando a saúde do ampularídeo em risco.

Colapso do manto

Sintomas: O manto é uma estrutura em forma de saco, que recobre órgãos muito importantes da ampulária, como pulmão e brânquias, agindo como um envoltório protetor. Em condições normais, o manto é perfeitamente alinhado com a entrada e o interior da concha, restando apenas alguns décimos de milímetros entre esta e a pele da ampulária, espaço esse preenchido com fluido, cuja função é a proteção, isolamento e amortecimento de choques. Em apenas alguns pontos, o manto é fixado diretamente na concha. A concha e o manto ficam como que em “equilíbrio”.

Quando ocorre um colapso do manto, esse “equilíbrio” é desfeito e o manto “desmorona” para fora da concha. Conseqüentemente, o pulmão também. A aparência externa é como se o corpo da ampulária estivesse “saindo” para fora da concha.

Causas: Infelizmente os fatores que levam ao colapso do manto são desconhecidos.

Consequências: O colapso do manto não só pode afetar severamente o pulmão, ou até mesmo inutilizá-lo, como também comprometer a saúde das brânquias, diminuindo seu funcionamento, já que a água não tem como fluir pelas brânquias adequadamente. Depois de algumas semanas no máximo, o animal morre por asfixia.

A qualidade de vida da ampulária é drasticamente prejudicada: o animal não consegue se movimentar, alimentar-se, tornando-se inativo e moribundo.

Prevenção: Como o colapso do manto é uma moléstia com várias incógnitas, uma prevenção direta é desconhecida. Sendo assim, oferecer boas condições de vida para a ampulária é a única prevenção.

Tratamento: Infelizmente não há tratamento ou remédio conhecido. Nessa circunstância, a maioria dos criadores recorre por sacrificar o animal, expondo-o a baixas temperaturas (colocando-o num refrigerador, por exemplo). Embora a eutanásia seja mal vista por muitos criadores, o quadro de saúde de um ampularídeo com colapso no manto dificilmente irá melhorar.

Excesso de fluido nos tecidos / Inchaço

Sintomas: Essa produção excessiva de fluidos ocorre principalmente em indivíduos mais velhos. Os principais sintomas são o corpo com aparência inchada (devido à retenção de líquidos), diminuição da atividade, perda do equilíbrio (a ampulária freqüentemente “tomba” para os lados ao movimentar-se), e dificuldade de aderir a vidros e outras superfícies lisas.

Causas: Como pouco se sabe a respeito de doenças internas de ampularídeos, as causas dessa retenção excessiva de fluidos são apenas hipóteses. Alguns autores associam esse mal ao desequilíbrio osmótico do animal com o meio, ou relacionam com o funcionamento das brânquias, pulmões e coração, ou ainda que seja de fato alguma doença (bacteriose, virose) que apresente esses sintomas.

Consequências: Além de prejudicar o bem estar da ampulária, a retenção de líquido pode literalmente “entupir” a cavidade do manto, comprometendo o funcionamento dos pulmões e brânquias. Em casos mais graves, o animal fica moribundo ou pode morrer por asfixia.

Prevenção: Como as causas são desconhecidas, a única prevenção é oferecer condições favoráveis à saúde da ampulária.

Tratamento: Infelizmente, como na maioria das doenças internas de ampularídeos, a única solução é: esperar, ou em casos mais extremos, recorrer à eutanásia. Porém, alguns criadores recorrem a um tratamento de alto risco, que pode facilmente levar a ampulária à morte: o tratamento com sais (normalmente NaCl), baseado nos princípios da osmose. Embora saiba que a sensibilidade das ampulárias por sal é grande, pode-se tentar adicionar quantidades ínfimas, muito gradualmente, e observar se as condições melhoram. Em teoria, o corpo perderia água para o meio, desinchando. Mas saiba que é um tratamento de altíssimo risco: ampulárias, assim como a grande maioria dos moluscos dulcícolas, não toleram salinidade, mesmo em baixa escala. Altas concentrações de sal poderão matá-las quase que instantaneamente.

Intoxicações

Sintomas: É sabido que ampulárias são extremamente sensíveis a uma grande quantidade de substâncias químicas, presentes em praticamente todos os remédios e drogas utilizados no tratamento de moléstias em peixes. O princípio básico dos bactericidas e fungicidas é matar os seres causadores das doenças sem causar efeitos adversos na saúde dos peixes, devido a diferenças, fisiológicas / metabólicas entre ambos.

Uma ampulária intoxicada pode apresentar sintomas diversos, dependendo do tipo substância que a afetou e quantidade; os sintomas mais comuns vão desde perda da cor, inatividade, perda do apetite, flutuação, entre outros comportamentos adversos. Algumas substâncias são extremamente letais para ampularídeos, matando-os em poucas horas.

Causas: A intoxicação das ampulárias ocorre principalmente quando há o tratamento de peixes com remédios, ou quando substâncias químicas são adicionadas na água do aquário.

Consequências: As conseqüências dependem do tipo da substância e concentração da mesma na água onde a ampulária está. Em alguns casos o animal fica “dopado”, evidenciando que o sistema nervoso foi afetado. Em casos mais severos, porém, o funcionamento do organismo fica prejudicado como um todo, órgãos são inutilizados e a ampulária acaba por morrer.

Prevenção: Para evitar que a ampulária se intoxique com substâncias químicas, deve-se isolar o animal em outro aquário ou recipiente durante o tratamento dos peixes com qualquer substância, a menos que se tenha certeza de que o produto utilizado não fará mal ao ampularídeo. Isolar o animal também é eficiente para evitar que parasitas livres na água instalem-se no corpo da ampulária, tornando-a hospedeira dos mesmos, podendo reinfectar os peixes.

Outra precaução é conhecer quais substâncias e remédios largamente usados na aquariofilia são letais aos ampularídeos. Alguns deles:

- Verde de malaquita, presente em quase todos os fungicidas;
- Formalina, formaldeído, metrifonato, Neguvon, e afins;
- Pesticidas em geral, óbvio;
- Metaldeído, é um moluscida;
- Qualquer substância que contenha cobre, também amplamente utilizado em bactericidas e fungicidas;
- Furanase, da Aquarium Products, amplamente utilizado na aquariofilia;
- Clout, também da Aquarium Proucts;
- BINOX;
- Sal;
- Sulfato de Magnésio (“sal amargo”);
- Metronidazol (Flagyl);
- Albendazol;
- entre outros.

Tratamento: Se a intoxicação for de pequenas proporções e rapidamente tratada, pode ser facilmente curada. Deve-se retirar imediatamente o animal à exposição da substância e mantê-lo em água limpa e livre da mesma. Dependendo da gravidade, a ampulária vai “limpando” seu organismo por si própria, liberando a substância tóxica na água. Sendo assim, trocas parciais diárias são necessárias, a fim de eliminar a substância por completo.

7. Reprodução

Ao contrário do que muita gente pensa, nem todos os caramujos são hermafroditas, e os ampularídeos são apenas um exemplo disso. Entretanto, a diferenciação do sexo das ampulárias geralmente é uma tarefa complicada, pois deve-se observar o complexo peniano presente nos machos e ausente nas fêmeas.

Identificando o sexo de uma Pomacea

1. Retire a pomacea da água. Provavelmente o reflexo dela será se recolher em sua concha.

2. Deixe-a com a entrada da concha apontando para o chão. Com um pouco de paciência e sorte (dependendo da “timidez” da ampulária), a tendência é que o animal relaxe, exibindo o pé e a cabeça.

3. Quando a pomacea estiver com o corpo para fora, pode-se tentar induzi-la a “abaixar a cabeça”, exibindo o lóbulo nucal. Isso pode ser feito aproximando uma superfície qualquer ou a própria mão. Como não é confortável para a ampulária ficar “pendurada” pela concha, a tendência é que ela tente alcançar a superfície para apoiar-se.

4. Ao observar o lóbulo nucal, pode-se observar o sifão respiratório no lado esquerdo, e no lado direito, uma “bolinha” (o complexo peniano), caso a pomacea seja um macho. Se a protuberância for inexistente, então trata-se de uma fêmea.


As pomaceas, bem como a maioria dos caramujos, são extremamente prolíficos, não sendo tarefa difícil induzi-los à reprodução. A primeira coisa a fazer é possuir um casal (óbvio). Em segundo lugar, oferecer condições favoráveis para que as ampulárias reproduzam. Isso significa temperatura alta, alimentação farta e variada, e uma coluna de ar de 8-10 cm para facilitar a desova, evitando que a pomacea se aventure para fora do aquário na busca de um bom lugar para desovar. Se essas condições forem satisfeitas, pode-se retirar várias ninhadas por mês. Alguns criadores consideram que a atividade reprodutiva das pomaceas torna-se acentuada na primavera.

Após a cópula, a fêmea emerge da água a fim de desovar, geralmente à noite. Todas as pomaceas botam seus ovos acima da coluna d’água. Os ovos recém colocados são úmidos e adesivos, para facilitar a montagem do ninho, mas em poucas horas sua casca torna-se rígida. Os ovos devem permanecer úmidos, porém jamais podem ser molhados/submersos, nesse caso os ovos não vingam e os embriões morrem afogados. Em duas a quatro semanas – dependendo da temperatura – os ovos eclodem, liberando os filhotes na água.

Ovos de Pomacea bridgesii .

Ao caírem na água, os filhotes, verdadeiras miniaturas dos pais, já iniciam sua vida buscando alimento. Nas primeiras semanas, os filhotes da pomacea alimentam-se de toda e qualquer matéria orgânica, o que é facilmente encontrado num aquário já estabilizado. Depois de crescidos, comem o mesmo que seus pais. Aliás, estes dificilmente irão devorar os filhotes, a menos que não haja outra fonte de alimento.

8. Considerações finais

As ampulárias do gênero Pomacea são provavelmente os invertebrados mais interessantes de se manterem em aquários. São graciosas, pacíficas e possuem um toque de exotismo. São incrivelmente resistentes, fortes e adaptáveis, contrariando sua aparência delicada. Especialmente a Pomacea bridgesii é uma excelente algueira e auxilia na limpeza do aquário alimentando-se de restos de comida e outros tipos de matéria orgânica. Há quem as ache feias, esquisitas ou ainda "nojentas", mas isso ocorre provavelmente por não terem tido a oportunidade de conhecê-las e apreciá-las.

Flávia Regina Carvalho, fevereiro de 2004

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